É assim mesmo que eu me senti quando peguei ela no colo pela primeira vez. Este texto foi publicado na revista Bons Fluídos, em fevereiro de 2009, escrito pelo fotógrafo Rodrigo Patrianova. Eu apenas troquei o nome do título.
O dia em que Aline nasceu
"Paris, 18 de novembro de 2008, pela manhã. Eu e minha esposa, Ci, ansiávamos pelo que aconteceria dentro de algumas horas: a chegada do nosso primeiro filho. Mal entramos no hospital e ela foi encaminhada para fazer os preparativos da cirurgia. Dava quase para morder o coração. Sondas foram colocadas: uma para a mãe e outra para o bebê.
Às 11h30, hora da cesariana, somos informados de que outra mãe, que há várias horas tentava ter seu filho naturalmente, seria submetida a uma cesariana de urgência, ocupando assim nosso lugar na sala de cirurgia. 12h45, a porta do quarto é aberta e uma enfermeira nos informa que é chegado o momento. Sendo uma cesariana, eu não poderia assistir. Beijo a Ci, desejo boa sorte e digo coisas como "que Deus te abençoe, boa hora" e tudo de bom que a gente deseja nesses momentos. Ela, já vestida para a operação, me abraça, me beija e pela última vez, somos dois.
Saio do bloco operatório. Dentro da sala de espera, encontro minha sogra, tão ansiosa e agoniada quanto eu. A troca de palavras é mínima. Agústia, apreensão, unhas roídas até o talo, garganta seca, mãos molhadas, um buraco criado no chão de tanto vai-e-vem. Tudo coopera para criar a sensação de ansiedade, jamais vivida com tanta intensidade. Cinquenta intermináveis minutos se passam e alguém abre a porta da sala onde estávamos. Uma enfermeira olha para mim e pergunta: "Monsieur, êtes vous le père de l'efant?" (O senhor é o pai da criança?). Respondo que sim.
Entro, então, na ala de operações, todo atrapalhado, e visto a roupa necessária. O corredor, que antes tinha 50 m, parece ter 50 km. Na sala, com o coração palpitando, procuro desesperado, quando vejo, em cima de uma mesinha recebendo os últimos (ou os primeiros) cuidados... ela, a coisa mais linda que eu já vi"
Pego, pela primeira vez na vida, minha filha nos braços. Os enfermeiros, educadamente, saem da sala e nos deixam sozinhos. É ela, é tudo, é alucinante, é a conclusão do nosso projeto mais lindo, sangue do meu sangue, é parte de mim, é o maior presente que Deus pode nos dar, é a prova concreta e viva do amor que eu e a Ci temos um pelo outro.
Choro! Olho para ela e choro mais, mais e mais. Um choro de felicidade, de "ufa", de "deu tudo certo", de "que linda!", de "minha filha!", de "obrigado!". Os últimos detalhes da cirurgia terminam. Posso enfim ver a Ci trazendo nossa filha nos braços. Entro na sala de cirurgia: somos três pela primeira vez na vida e, daqui pra frente, pra sempre. Choramos os dois. A felicidade é indescritível! Naquela tarde cinzenta parisiense, precisamente às 13h35, nasceu Aline Felizona Patrianova para mudar maravilhosamente a história de nossa vida."
O dia em que Aline nasceu
"Paris, 18 de novembro de 2008, pela manhã. Eu e minha esposa, Ci, ansiávamos pelo que aconteceria dentro de algumas horas: a chegada do nosso primeiro filho. Mal entramos no hospital e ela foi encaminhada para fazer os preparativos da cirurgia. Dava quase para morder o coração. Sondas foram colocadas: uma para a mãe e outra para o bebê.
Às 11h30, hora da cesariana, somos informados de que outra mãe, que há várias horas tentava ter seu filho naturalmente, seria submetida a uma cesariana de urgência, ocupando assim nosso lugar na sala de cirurgia. 12h45, a porta do quarto é aberta e uma enfermeira nos informa que é chegado o momento. Sendo uma cesariana, eu não poderia assistir. Beijo a Ci, desejo boa sorte e digo coisas como "que Deus te abençoe, boa hora" e tudo de bom que a gente deseja nesses momentos. Ela, já vestida para a operação, me abraça, me beija e pela última vez, somos dois.
Saio do bloco operatório. Dentro da sala de espera, encontro minha sogra, tão ansiosa e agoniada quanto eu. A troca de palavras é mínima. Agústia, apreensão, unhas roídas até o talo, garganta seca, mãos molhadas, um buraco criado no chão de tanto vai-e-vem. Tudo coopera para criar a sensação de ansiedade, jamais vivida com tanta intensidade. Cinquenta intermináveis minutos se passam e alguém abre a porta da sala onde estávamos. Uma enfermeira olha para mim e pergunta: "Monsieur, êtes vous le père de l'efant?" (O senhor é o pai da criança?). Respondo que sim.
Entro, então, na ala de operações, todo atrapalhado, e visto a roupa necessária. O corredor, que antes tinha 50 m, parece ter 50 km. Na sala, com o coração palpitando, procuro desesperado, quando vejo, em cima de uma mesinha recebendo os últimos (ou os primeiros) cuidados... ela, a coisa mais linda que eu já vi"
Pego, pela primeira vez na vida, minha filha nos braços. Os enfermeiros, educadamente, saem da sala e nos deixam sozinhos. É ela, é tudo, é alucinante, é a conclusão do nosso projeto mais lindo, sangue do meu sangue, é parte de mim, é o maior presente que Deus pode nos dar, é a prova concreta e viva do amor que eu e a Ci temos um pelo outro.
Choro! Olho para ela e choro mais, mais e mais. Um choro de felicidade, de "ufa", de "deu tudo certo", de "que linda!", de "minha filha!", de "obrigado!". Os últimos detalhes da cirurgia terminam. Posso enfim ver a Ci trazendo nossa filha nos braços. Entro na sala de cirurgia: somos três pela primeira vez na vida e, daqui pra frente, pra sempre. Choramos os dois. A felicidade é indescritível! Naquela tarde cinzenta parisiense, precisamente às 13h35, nasceu Aline Felizona Patrianova para mudar maravilhosamente a história de nossa vida."
A diferença é que eu acompanhei o parto e a primeira amamentação.
Bruno, Beta e Duda
ResponderExcluirLinda mensagem, é exatamente o que eu e meu esposo sentimos quando a nossa DUDA nasceu...
A Maria Eduarda de vocês é muito linda!!!
Abraços
Paola (EPTC)
Oi Bruno, Beta e Duda!
ResponderExcluirAqui é o Rodrigo Patrianova :) procurando esse meu texto na internet, caí aqui no blog de vocês e fiquei feliz em ver que todos os pais, quando cheios de amor, compartilham do mesmo sentimento! Parabéns pra vocês (mesmo que um pouco atrasado :)
Rodrigo