Ontem, durante meu banho, estava pensando no que é SER PAI.
Eu, quando criança, jogava bola com meu pai, falávamos de carro e ele me dava conselhos sobre mulheres. Eu cresci com a idéia de que o melhor seria ter um filho homem, sem precisar escutar piadinhas do tipo "passou de consumidor à fornecedor", ir pro estádio (do time que eu escolhi para ele) falar palavrões, xingar a tão idolatrada mãe do juiz, tomarmos um porre e gritar "GOSTOSAAA, Ô BOAZUDA!!" pra moça que passa com a faixa de "SE BEBER NÃO DIRIJA". Sonhava com a idéia de jogar futebol com ele na praia e ser o seu super-herói mais imbatível.
Acredito que para as mulheres, de um modo geral, todas sonham em ter filhas, já que passam a infância toda (passavam até alguns anos, agora é tudo virtual) brincando de boneca, trocando de roupa e enfeitando cada vez que fosse na pracinha andar de balanço. E quando são mães, querem uma boneca de verdade, que chora e faz cocô, que mama e dá risadas.
E cá estou eu, pai de uma menina. Tudo aquilo que eu sempre quis (ou achava que queria) mudou completamente quando peguei ela no colo pela primeira vez. Jogar bola na praia? Não, brincar de castelinho e tomar banho de sol; Ir pro estádio? Sim, do time que ela escolher, seja Grêmio, Inter, Criciúma ou o Rio Negro do Amazonas e vibrar com um gol. Falar com ela de como os garotos não prestam, e tomara que ela espere até os 18 para sair de casa pela primeira vez. Mesmo pai de uma menina sei que uma coisa não muda: ser o seu super-herói imbatível, que sai na madrugada chuvosa de inverno para buscar ela numa festa na zona norte, que carrega ela e o namoradinho até o cinema, largar o meu genro em casa e escutar ela chorar porque ele anda estranho e talvez tenha outra. Enfeitar ela como se fosse uma boneca e desfilar no shopping, olhar na vitrine e pensar em comprar uma fitinha pro cabelo, um brinquinho ou uma blusinha...Ah, essas mulheres que mexem com a cabeça dos homens!!
Hoje, com ela no colo e rindo pra mim, não sei se eu queria tanto assim ter um filho homem. Ela me encantou com aquelas bolotas azuis que chamamos de olhos. Ou seriam estrelas?
O que eu consigo concluir de tudo isso, é que, seja filho ou filha, o amor é incondicional, irracional e meu mundo gira em torno dela e da mãe dela, que me deu esse presente e estão do meu lado.